um espaço para dar voz às letras e aos seus autores

04
Mai 12

publicado por antonius às 08:55

23
Abr 12

A 23 de Abril celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.

A UNESCO instituiu em 1995 o Dia Mundial do Livro.

A data foi escolhida por ser um dia importante para a literatura mundial - foi a 23 de Abril de 1616 que faleceu Miguel de Cervantes e a 23 de Abril de 1899 nasceu Vladimir Nabokov.

Também a 23 de Abril nasceu e morreu William Shakespeare.

A data serve ainda para chamar a atenção para a importância do livro como bem cultural, essencial para o desenvolvimento da literacia e desenvolvimento económico. 

publicado por antonius às 10:56

12
Abr 12

A autora, Susana Campos, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Nos teus olhos” a ter lugar na Sala Francisco Sá de Miranda da Casa Municipal da Cultura, sita na Rua Pedro Monteiro, em Coimbra, no próximo dia 14 de Abril, pelas 16:00. Obra e autora serão apresentadas pela Dr.ª Fátima Toscano.
publicado por antonius às 15:43

05
Abr 12

 

Nos idos de 2009 almoçávamos numa pensão do Rio Comprido, eu, Tavinho Paes e Stella Caymmi, quando esta nos revelou que uma de suas paixões literárias era o poeta Bruno Tolentino que conheceu em 1996, quando participou do Encontro Nacional de Estudantes de Letras (ENEL), em Imperatriz- Maranhão. Naquela ocasião, alguns alunos da Universidade Federal do Ceará o entrevistavam para um desses jornais literários e me instigaram a fazer perguntas ao polêmico intelectual que, com toda razão, havia acabado de declarar a uma revista que os livros didáticos de Língua Portuguesa deveriam se utilizar de poemas, não de letras de música de Vinícius de Moraes, Chico Buarque etc.

Em plena primavera maranhense, disse-lhe que iria até o rio Tocantins beliscar um peixe frito com cerveja gelada. Para surpresa geral, Tolentino convidou-se a participar do programa, desde que lhe emprestassemos um calção de banho. Ao chegarmos às margens do rio, embarcamos numa canoa até a Praia do Goiás, já no estado de Tocantins.  No percurso, expliquei-lhe que iria ministrar uma palestra sobre Clarice Lispector. Foi então que o poeta contou-me que convivera com a escritora no período em que fora proprietário de uma chácara no Recreio dos Bandeirantes e lhe fornecia ovos frescos e verduras.  Anos mais tarde indaguei à biógrafa Teresa Montero sobre a veracidade deste depoimento. Ela me respondera que ouvira a mesma versão quando o entrevistara para feitura de seu livro Clarice – eu sou uma pergunta(Rocco, 1998).

Ao tomar conhecimento do convívio entre Lispector e Tolentino, atrevi-me a convidá-lo a participar da comunicação que faria no sábado seguinte, a fim de que, enquanto eu explorasse os aspectos da pesquisa intitulada “Unidades e fragmentos – o Eros revisitado em Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”, o ex-professor de Harvard exporia a menção biográfica. Convite aceito. A atenta plateia se deliciou com suas frases de efeito e anedotas. Ao retornarmos, contei-lhe que eu era dramaturgo e, em breve, publicaria um livro com algumas peças de teatro.  O poeta olhou-me com certo desdém; disse-me, no entanto, que se eu conseguisse uma editoria ele faria o prefácio da obra.           

Era a primeira vez que eu conversava com um escritor consagrado e já poderia me gabar por receber a promessa de se prefaciado por Bruno Tolentino.  Ocorre que após retornar a Niterói, alguns meses depois, esbarrei-me com o Tolentino, na Cantareira, em São Domingos. Fomos beber cerveja e comer caranguejo no Bar do Pardal. No calor da conversa, convidei-o para uma conferência na UFF, porque quiçá até poderíamos repetir o grande feito sobre Clarice Lispector no Maranhão. Na data e horário combinados, o recepcionamos no salão Macunaíma do bloco de Letras.  Creio que a homenagem ao mestre paulistano foi o mote para o palestrante esquecer Clarice e começar a espinafrar Mário e Oswald de Andrade, o concretismo etc. 

Logo após o debate do auditório, dirigimo-nos ao Pardal. Lá chegando, Tolentino se demonstrara indignado por ter perdido o Prêmio Nestlê que, sarcasticamente, alcunhara de Leite Ninho, para o poeta Manoel de Barros.  Dizia-nos que, mais por misericórdia do que por injustiça, os organizadores desencavaram o velho bardo com o pé na cova para homenageá-lo, em detrimento de uma superior importância literária representada por sua satírica pena. Logo ele, Tolentino, que desafiara Haroldo de Campos para um duelo em grego na TVE; que quando residiu em Salvador presenciara as discussões sobre as diretrizes do Cinema Novo com Glauber Rocha e da Tropicália com Caetano Veloso; e que no exame de aprovação para o corpo docente de Oxford só não dominava o idioma russo, mas que ainda iria aprender para ler Dostoievski no original.

Confesso que ainda tentei argumentar que Manoel de Barros seria um nome a ser respeitado, sobretudo, por sua moderna relevância estética e que sua Didática da invenção... Todavia, diante de tão substanciosa revolta pelo resultado da premiação literária, resolvi calar-me para ouvi-lo reafirmar que era um absurdo ser derrotado por mera piedade da comissão julgadora, só porque o adversário iria morrer e ele enfim receberia o prêmio da vida. 

Por ironia do destino, Bruno Tolentino falecera em 2007, Manoel de Barros acaba de completar 95 anos e eu, enfim, estou até hoje a aguardar pelo prefácio de um autor com tão belicoso calibre intelectual.

           

Wander Lourenço de Oliveira

JORNAL DO BRASIL

publicado por antonius às 15:30
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04
Abr 12



 
Quando é que tudo começou? Quando é que o “bichinho” da escrita a invadiu?

Quando tudo começou: Eu escrevo há uns anos. contudo nunca acreditei no valor das minhas palavras. Vários amigos que liam os poemas incentivaram a editar. Enviei em 2010, o que eu considerava um livro, para três editoras. Aceitaram o trabalho. Escolhi a editora Temas Originais que apoiou e o "Lua Azul" que foi editado em setembro de 2011.

Quem são os escritores/poetas que a influenciaram?

A minha poesia é muito própria, não é influenciada por poetas. Contudo, gosto de ler Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, António Nobre, entre outros grandes poetas. No fundo gosto de poesia que, na sua essência toque na sensibilidade do sentir. Por vezes, busco a inspiração em pequenas frases, palavras, acontecimentos e posteriormente transformo em poema.

Já com dois livros editados, qual é o balanço do trabalho realizado?

 

O balanço desde a edição do primeiro livro, é bastante positivo. Conquistei metas que anteriormente achava inalcançaveis e impensaveis. Fui convidada pela Chiado Editora para participar numa antologia intitulada "Entre o Sono e o Sonho”, editada em Fevereiro, participei em duas antologias brasileiras e o segundo livro "Nos teus Olhos" que sairá em breve.
Possuo convite para participação em antologia (projecto para ano 2013) destinada a novos poetas. E ainda este ano pretendo editar uma historia infantil que já se encontra no ilustrador. Quanto a vendas, posso dizer que superei as minhas expectativas.

Até que ponto é que a sua profissão, mestre em serviço social, entra naquilo que cria, naquilo que escreve?

A escrita é influenciada por tudo o que me rodeia estando englobado também a profissão. Eu como assistente social num centro de dia destinado essencialmente no apoio a seniores, bebo emoções, detalhes, sentimentos que por vezes se encontram esquecidos actualmente no dia a dia devido ao viver apressadamente. Contudo pretendo criar um contexto proprio na escrita desligado da visão profissional e muitas das vezes pessoal.

Ser escritor/poeta em Portugal, sobretudo se vive na província, é fácil ou difícil?

O ser escritor/poeta quando se mora na província, cidade ou ilhas, é difícil como noutra área dependendo da perseverança, atitude, dedicação, e empenho na concretização de objectivos. Acredito ainda que uma postura positiva e humilde suscita o sucesso.

Como vê o seu futuro na escrita? E o do país literário?

O futuro será uma incógnita e neste momento não é objecto de preocupação. Gosto de escrever e atingir os objectivos propostos: incentivar a leitura, a critica, levar o leitor ao questionamento da sua própria atitude. Pretendo sim, continuar na escrita e dedicar a minha atenção para os contos infantis. Existem desafios, propostas que vão ganhando cor, como o desafio de escrever um romance. No que concerne ao pais literário e, no meu entendimento, existe uma certa repetição na forma de escrita, preocupação com objectivos comerciais em detrimento da liberdade de pensamento.

Tal como escreveu Natália Correia, também acha que a poesia é para comer?

A poesia está em todos os actos, palavras, gestos. A poesia sai do poeta reencarnando personagens, traduz-se em arte nas palavras. Abandona o poeta deixando o sentido inicialmente criado. Manifesta-se, alimenta as emoções, é o sustentáculo do leitor derivando da importância que cada um lhe atribui.

 

António Veríssimo

Independente de Cantanhede

publicado por antonius às 12:57

26
Mar 12

Em Mira, de 20 a 30 de abril, fruto de uma grande parceria
O 25 de Abril, José Afonso e Adriano Correia de Oliveira vão ser alvo de homenagem

Integrando-se no Projeto Amigos Maiores que o Pensamento, vai ter lugar em Mira, de 20 a 30 de abril, a iniciativa “abril, lembranças mil” que é organizada por um vasto conjunto de entidades locais, regionais e nacionais, concretamente o Projecto Cultura e Cidadania (Mira), a Biblioteca Escolar da EB de Mira, a Câmara Municipal de Mira, a Associação José Afonso, o Movimento Republicano 5 de outubro (Coimbra), a Associação 25 de Abril e o Clube Literário de Mira e cujo ponto alto é a homenagem a José Afonso e a Adriano Correia de Oliveira, no dia 28 de abril, entre as 15H30 e as 20H00.
O programa desta iniciativa é o seguinte:

De 20 a 30 - “Fragmentos de Abril”, pintura de artistas mirenses (Átrio da Câmara Municipal de Mira)
De 20 a 30 – “Palavras de Abril”, parede de poemas (Biblioteca Municipal de Mira)
De 20 a 30 – “Memórias do 25 de Abril”, exposição bibliográfica (Biblioteca Municipal de Mira)
De 20 a 30 – Projeção da série documental “Maior que o Pensamento”, sobre José Afonso, da autoria de Joaquim Vieira (Bibliotecas Escolares de Mira)
De 20 a 30 - Projeção do filme “Se a memória existe” de João Botelho, baseado numa história de Manuel António Pina (Escolas de Mira e Bibliotecas Escolares de Mira)
De 23 a 27 - “Ler Abril”, exposição bibliográfica e “Abril escreve-se e ilustra-se de mil maneiras”, mostra de trabalhos de alunos sobre o 25 de Abril (Biblioteca Escolar da EB de Mira)
De 23 a 27 – “Sentir Abril”, exposição histórica e documental, passagem de filmes e documentários, concurso, sugestões de leitura, música e sessões multimédia e informativas sobre o 25 de Abril (Biblioteca Escolar da ES de Mira)
Dia 24, 20H30 - Tertúlia “Conversas ao borralho” com Mário Tomé e música interpretada por Constança e Custódio Monteiro, Ciclos, Grupo Coral de Mira e Sumeterraio (Biblioteca Escolar da EB de Mira)
Dia 25, 11H00 – Evocação do 25 de Abril com largada de pombos, música, e pintura ao vivo com o artista Paulo Manata Fixe (Jardim Municipal de Mira)
Dia 25, 16H30 - Tertúlia “As portas que Abril abriu” com João Reigota, Manuel Matos e a Associação Cívica José Estêvão (Café Aliança, em Mira)
De 26 a 30 - Exposição de pintura de Ana Maria Reigota, Fernanda Baptista, Maria do Céu Morgado, Miguel Alegrio e Zélia Morais (Café Aliança, em Mira)
Dia 28, 15H30 – Homenagem do Poder Local a José Afonso e a Adriano Correia de Oliveira (Salão Nobre da Câmara Municipal de Mira)
Dia 28, 16H30 – “Amigos maiores que o pensamento” com as palavras dos companheiros e amigos Alípio de Freitas, Álvaro de Carvalho, Álvaro Fernandes, Camilo Mortágua, Carlos Carranca, Helena Pato, José Levy Domingos, Rui Pato, entre outros, e a música e as canções de Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira interpretadas por Arnaldo Carvalho, Aurélio Malva, Carlos Albano, Jorge Monteiro, Noturno – Grupo de Fados, Ciclos e Sumeterraio (Casa do Povo de Mira)
Dia 29, 16H30 – Projeção do documentário “À procura do socialismo”, de Alípio de Freitas e Mário Lindolfo seguido de debate e música (Café Aliança, em Mira).
A iniciativa conta com o apoio e a colaboração do Agrupamento de Escolas de Mira, do Café Aliança (Mira), da Casa do Povo de Mira, da Diligência Bar (Coimbra), do Eurocompras (Mira) e do Movimento Escrita e Combate (Mira).

Segundo os organizadores, “numa altura em que o país caminha para um extremismo que os militares  de abril quiseram banir com a Revolução dos Cravos, evocar o 25 de Abril e lembrar José Afonso e Adriano Correia de Oliveira deve ser uma vontade e uma ação constante”. Sublinham também que um dos objetivos desta iniciativa é “recordar o papel dos militares na defesa da democracia, na defesa de um caminho que contribuiu para que o povo fosse à luta pelas suas conquistas”, conquistas, que, afirmam, “agora, nos querem tirar, nos estão a tirar”.

Afirmam ainda que, “sendo Mira já a capital da columbofilia será também, nestes dias de abril, a capital da liberdade e onde, porque é urgente e necessário, se dará mais um passo, um grande passo, para que Portugal continue no caminho certo, no caminho da democracia, da cultura e da cidadania responsáveis”.

publicado por antonius às 17:06

O escritor luso italiano Antonio Tabucchi, morreu ontem, em Lisboa, aos 68 anos, vítima de cancro.

Conquistado por duas geografias, habitou um território sem fronteiras, essa súmula de todos os lugares a que chamou “a minha mala de livros”, bagagem formadora do carácter de um “homem taciturno mas de trato cordial e directo”, cujo corte do bigode aliviou o seu “aspecto severo”. Em 2008, em entrevista soberba à revista Campus, da Universidade de Murcia, Pascual Vera comparava-o a uma figura de um quadro de Greco, um Quixote enxuto “tão sentencioso como Sancho Pança”.

As evocações colhem. “As personagens acabam por assemelhar-se ao autor”, admitia Tabucchi, italiano “adoptivamente português”, fascinado por Fernando Pessoa, autor de “uma comédia humana cujos personagens são poetas”, artífice de alteridades como aquelas esculpidas por Cervantes, Shakespeare ou Balzac.

A 1 de Novembro de 2011, o CCB reservou um dia de homenagem ao “mais português dos escritores europeus”, cujas ficções “exploram um universo em que os acasos e as coincidências assumem proporções metafísicas, e em que o gosto literário pelos enigmas contribui para criar narrativas densas, misteriosas e inquietantes”.

Nacionalidades Estabelecido em Portugal há vários anos, um vínculo formalizado pela concessão de nacionalidade portuguesa em 2004, Tabucchi nasceu em Pisa, a 23 de Setembro de 1943, e cresceu na localidade vizinha de Vecchiano, em casa dos avós maternos. Nos tempos de estudante universitário, viajou pela Europa no encalço dos autores que descobrira na biblioteca do tio. Numa dessas jornadas, encontrou o poema “Tabacaria”, de Álvaro de Campos, num quiosque próximo da Gare de Lyon, em Paris, uma versão em francês traduzida por Pierre Hourcade.

Os versos de um dos heterónimos de Pessoa despertaram um interesse que o acompanharia nas décadas seguintes. No final de 1965, foi o melhor aluno de um curso de português e ganhou uma bolsa de estudo para passar o Verão em Portugal. Em 1969, depois dessa visita a Lisboa que apurou a paixão pela capital do fado, licenciou-se com a tese “Surrealismo em Portugal”.

“Portugal entrou na minha vida quando era estudante de filologia românica e estudava português, espanhol, francês etc. Cheguei a Portugal nos anos 60, que vivia numa ditadura, conheci muita gente, intelectuais, fiz amigos e minha mulher é portuguesa. O amor tem uma certa importância na vida”, recordou em 2002 ao jornal da Mostra, Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Alexandre O’Neill, José Cardoso Pires e Fernando Lopes, que lhe filmou a adaptação de “O fio do horizonte”, faziam parte do círculo de amigos de um permanente pensador do mundo, que com eles partilhava a mesa e o anti-salazarismo num país “onde todos vestiam de preto e usavam chapéu”.

Nos anos 70, especializou-se na Escola Normal Superior de Pisa e em 1973 estreou-se como professor de Língua e Literatura Portuguesa. O período coincide com a escrita do seu primeiro romance, “Piazza d’Italia” (1975), um mergulho na História ao sabor dos vencidos; início de uma aventura nas letras orientada até ao final pela mesma bandeira. “A literatura tem hoje o papel que sempre teve: proporcionar uma forma distinta de ver as coisas. A câmara de televisão envia-nos imagens mas é sempre recta, não muda o ângulo. A literatura sim, vai mais além do que somos capazes de ver”, descreveu a Pascual Vera.

Arcaísta confesso, Antonio Tabucchi escrevia em cadernos escolares, rejeitando o computador e a internet. “Prefiro os furos da rede”, confessava o autor, correntemente bilingue, apesar de só ter escrito uma das suas obras directamente em português, “Requiem”. Paralelamente à sua actividade de pesquisa e crítica literária, assinou uma obra notável como ficcionista, de onde se destacam “Donna di Porto Pim” (“A Mulher de Porto Pim”, 1983), “Notturno Indiano” (“Nocturno Indiano”, 1984), “Piccoli Equivoci Senza Importanza” (“Pequenos Equívocos sem Importância”, 1985) e “Sostiene Pereira” (“Afirma Pereira”, 1994). Esta última deu origem ao filme com o mesmo nome, realizado por Roberto Faenza e rodado em Portugal, com Marcello Mastroianni. “Os escritores têm intuições. Sentia-se um ventinho xenófobo e racista na Europa. Então escrevi a história de um anti-herói que consegue fazer não um acto de heroísmo, mas o seu dever de jornalista e está pronto para aceitar as consequências”, recordou em entrevista ao i em Abril de 2010, quando o escritor recebeu Vanda Marques em sua casa, a propósito do livro “Viagens e outras Viagens”.

ENredos Tabucchi foi um contador de histórias que encheram os ecrãs de cinema em cinco ocasiões, assinando ainda duas peças de teatro reunidas em “I dialoghi mancati”. Apreciador de literatura brasileira, traduziu poemas de Carlos Drummond de Andrade e o romance “Zero”, de Ignacio de Loyolla Brandão.

Dono de uma veia polemista saliente, colaborava com o jornal italiano “La Repubblica”. Com um olhar próximo da realidade portuguesa, apoiou Mário Soares, foi candidato pelo Bloco de Esquerda nas eleições europeias e escreveu sobre a luta dos timorenses. Em 2001, um artigo para o jornal francês “Le Monde” e que foi traduzido pelo jornal espanhol “El País” (acerca da liberdade de expressão) valeu-lhe o Prémio de Liberdade de Expressão Josep Maria Llado, na Catalunha, em Espanha.

“As dúvidas são como manchas numa camisa. Gosto de camisas com manchas. Quando me dão uma camisa demasiado limpa, completamente branca, fico imediatamente cheio de dúvidas”, dizia o autor de “Una camicia piena di Macchie” (1999), que no ano passado cancelou a sua participação na FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty, na sequência da decisão tomada pela justiça brasileira sobre o caso de Cesare Battisti, ex-activista da extrema esquerda italiana, condenado por quatro assassinatos nos anos 70, autorizado a permanecer no Brasil.

Apontado por diversas vezes para o Nobel, foi também nomeado para o Man Booker Prize em 2005 e 2009, ano em que correu uma petição lançada pelo jornal “Le Monde”, em solidariedade com o escritor, a quem o presidente do Senado italiano, Renato Schifani, exigia em tribunal a quantia de 1,3 milhões de euros, na sequência de um artigo publicado no jornal “L’Unitá”, onde questionava o passado e os negócios de uma das figuras mais próximas de Sílvio Berlusconi. “Não será fácil desberlusconizar a Itália”, lamentava no “El País” o feroz opositor do então ainda primeiro-ministro do seu país, que mantinha intocável o amor profundo pela terra onde nasceu, cresceu e onde escutou as primeiras histórias da boca dos seus avós.

Tabucchi estava internado no Hospital da Cruz Vermelha, disse à agência Lusa a viúva do escritor, Maria José Lancastre. O funeral decorre na quinta-feira, em Lisboa. A Casa Fernando Pessoa vai realizar no próximo dia 2 de Abril, a partir das 10h30, uma maratona de leitura integral do “Requiem”, que será gravada. Também em Abril será lançado o conjunto de contos “o Tempo Envelhece Depressa”, pela editora Dom Quixote.

“Hoje toda a gente se trata por tu, já deves ter reparado, é uma forma despachada e falsamente confidencial. Eu não gosto, porque é inconveniente... Acho que quando duas pessoas se estimam devem tratar-se por você, é uma forma que revela civilidade e respeito pelo outro”, escreveu em “Tristano Morre”, relido num daqueles dias que põe o tratamento em sentido.

 

MARIA RAMOS SILVA JORNA

publicado por antonius às 13:24
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21
Mar 12


"ABRIL, LEMBRANÇAS MIL" COM HOMENAGEM A JOSÉ AFONSO E A ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA, MIRA, DE 20 A 30 DE ABRIL

Depois... a 3, 4, 5, 6 e 7 de Outubro:
1º FESTIVAL LITERÁRIO DE MIRA
... para divulgar os nossos escritores e os nossos poetas. E para homenagear Ary dos Santos, António Gedeão, Carlos de Oliveira, Fernando Namora,Miguel Torga e Fernando Pessoa. Tema principal do evento: "A REPÚBLICA E A LUTA PELA LIBERDADE NA LITERATURA PORTUGUESA"
publicado por antonius às 15:03



Com a presença de autarcas, escritores, familiares e muitos amigos do escritor, foi apresentado no sábado, dia 17 de março, no Centro Equestre de S. Caetano, o Prémio Literário Idalécio Cação, uma iniciativa da Junta de Freguesia de S. Caetano a que se juntaram as Câmaras Municipais de Cantanhede, Mira e Figueira da Foz, os agrupamentos de escolas de Cantanhede, Febres e Mira e as respetivas associações de pais, que homenageia o escritor Idalécio Cação e que visa estimular a produção literária.
José Carlos Jesus, presidente da Junta de Freguesia de S. Caetano, agradeceu a Idalécio Cação “ter-nos honrado com o seu nome” numa alusão ao prémio literário que é “uma ideia que conseguiu unir muitas vontades e gente que está hoje aqui a dar a cara”.
O autarca disse ainda que “a imaginação e a escrita de Idalécio Cação levou a que as entidades dissessem sim a esta ideia” e desejou que “ a ideia funcione” e que, em novembro, “nos juntemos de novo para entregar os prémios aos vencedores”.
O autarca de S. Caetano disse ter a certeza de que “há semente e a ideia é boa” e que os semeadores são “os educadores, os pais, os agrupamentos de escolas” sublinhando ainda que “é importante contar com o empenho dos autarcas, dos pais e dos professores” para o sucesso desta iniciativa que se integra na comemoração dos 100 anos da Paróquia de S. Caetano. José Carlos Jesus frisou também que “para que a iniciativa não fique coxa, contamos com todos”.
O escritor António Canteiro, ao longo da apresentação, foi dando conta dos dados biográficos do patrono do prémio literário ajudado, na leitura de textos do escritor, por Edite Tavares Garrido e Cidalino Madaleno.
António Tavares, vereador da Câmara Municipal da Figueira da Foz, disse que a Figueira da Foz, concelho natal do escritor, “não podia ficar de fora desta ideia muito boa” que, sublinhou, “homenageia um nome das nossas letras que é divulgador da nossa cultura e identidade”.
O autarca figueirense disse ainda que “estamos todos rendidos ao seu trabalho” e que este prémio “veio trazer o reconhecimento da sua obra”. Desejou que o prémio fique e “perpetue o nome deste escritor” e entregou a Idalécio Cação a medalha cultural do concelho da Figueira da Foz atribuída pela Câmara Municipal.
Manuel Martins, vice-presidente da Câmara Municipal de Mira, considerou a escolha de Idalécio Cação “uma escolha feliz” e salientou a forma como o escritor “retratou a nossa terra”.
Pedro Cardoso, vereador da Câmara Municipal de Cantanhede, salientou “o grande alcance cultural” da iniciativa, saudou o “empenhamento das associações de pais nesta oportunidade de envolver a comunidade escolar” na descoberta deste escritor gandarês.
O autarca cantanhedense falou de Carlos de Oliveira, “uma referência de Idalécio Cação”, leu um excerto de “Casa da Duna” que fala sobre Corgo Covo, a aldeia onde fica o Centro Equestre, e sublinhou que, para além da “merecida homenagem, a iniciativa tem uma grande importância educativa”.
A música, interpretada por Vítor Santos e Manuel Ribeiro, também fez parte da cerimónia onde “As origens da Gândara” foram alvo de uma palestra a cargo da professora universitária Fernanda Cravidão.
Idalécio Cação disse que “para mim, que sou apenas um pobre homem da Gândara, honra-me muito ter o meu nome incluído no prémio literário”, sublinhou o facto de “uma freguesia que pode desaparecer dar este exemplo”, recordou que foi na biblioteca da Figueira da Foz que “me comecei a interessar pela leitura” e salientou ser do tempo “em que ser gandarês era pejorativo” acrescentando que foram Carlos de Oliveira e Fernanda Cravidão “que reabilitaram a Gândara”.

O prémio, cujos textos (contos) deverão ter a região da Gândara como mote, é aberto a dois escalões etários adultos, pessoas com idade superior a 18 anos, e jovens, que completem 18 anos até ao dia 31 de agosto de 2012. Serão admitidos escritores de todo o país, de países de expressão oficial portuguesa ou outros, desde que escrevam em Língua Portuguesa.
O vencedor do “Prémio Adulto do Conto” receberá uma quantia monetária de 500 euros, ao passo que a primeiro lugar do “Prémio Jovem do Conto” ganhará 400 euros. Ainda não será certo mas é possível que os vencedores de ambos os escalões possam ver a sua obra editada.

publicado por antonius às 13:41

15
Mar 12

publicado por antonius às 14:09
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